quinta-feira, 28 de julho de 2016

“À” moda cortázar
A verdade é que na Patagônia, bem embaixo de uma cratera submersa, olhos dançantes cantam sem bocas suficientes para qualquer incauto, que possua ouvido, seja apto a escutar. Isso não determina distâncias, posto que uma viúva na Dinamarca receberá sua pensão da mesma forma.
A verdade é ou não é, sendo ambos em constante redemoinho, se entrelaçando de azul e violeta. Rosas vermelhas não são bem vindas nesse caso. Destas tira-se-lhes o caule espinhoso e praticamos uma infusão precisa de modo volátil, refiro ao modo de quem realiza a tarefa sem proveito garantido.
A verdade possui muitas pontas, das quais já contei três, mas suspeito que passam de 3 milhões, o que me embaraça. Nos prostíbulos romenos, púcaros Búlgaros enfeitam quartos diminutos, onde as luzes da rua, alaranjadas, já não confortam as dores dos aposentos manchados.
A verdade é que santos são os santos, mesmo que digam o contrário, só o fato de existirem palavras como santo e xícara, decerto haverão santos e xícaras. A verdade é mesquinha e dadivosa, pois possui uma varinha de condão de onde vertem fios que são capazes de tornar desde seres humanos aos tigres, simples títeres de suas finas estruturas desenroladas.
(Para matar um homem não é preciso mais que uma agulha. Para matar uma mulher é preciso perdoá-la. Sorte de quem tenha matado um ou outro. No fim são todos iguais).
.No momento em que os anjos jogam suas trombetas do céu, já não há qualquer coisa a que se possa atribuir qualquer nome. Inclusive o nome verdade.

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