"Não serei a servidão!"
"Serás, então, a dor?" - indagou-lhe a voz Criadora.
"Serei a Liberdade!" - respondeu a voz criada.
"Mas assim sofrerás a sedução do orgulho..." - retrucou a voz suprema
- "... e engendrarás a morte."
"Para mim é necessário..." - a luz criada insistiu - "lutar contra a
morte para conquistar a vida."
Foi então que Deus soltou de seu seio o fio de esplendor que prendia o anjo altivo e ao ve-lo projetar-se na noite que era marcada de glória, amou o rebento de seu pensamento e sorrindo inefavelmente disse a si mesmo:
Como era bela a luz!
Não foi Deus que criou a dor. Foi a inteligência que, para ser livre, a aceitou."
Arrojado foi realmente Lúcifer, que segurando o archote lançou-se ao abismo, mas
para que pudesse ilumina-lo, e não como um anjo amaldiçoado. Lançado
foi, não por uma maldição divina, que, admitida, seria o maior de
todos os sacrilégios cometidos pelo próprio Deus, que se supõe
perfeito e justo. Mas lançou-se por vontade própria, por desejo de ser
livre. Não se pode supor que a dor, o mal, seja um castigo herdado por nós de
um "Adão amaldiçoado", mas sim a opção do Adão Primordial de
manifestar-se, não desejando mais a cômoda, inocente e doce
Não-Manifestação. Optou por separar-se do Todo Uno e conhecer a
Liberdade. Desprendeu-se de Deus e caiu no abismo iluminando a noite
com sua bendita luz.
Bruxinha
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